Foi-se o tempo em que ficar mais velho era sinônimo de experiência acumulada.
Para um publicitário como eu, está sendo punk.
Primeiro acabaram com os past-ups...
O past-up geralmente era um cara que fazia a montagem das artes-finais. Tinha o letrista que desenhava os tipos (as letras). Esse cara deu graças a Deus quando inventaram a Letra-Set. Tinha ainda o ilustrador. O Tráfego que cuidava do andamento do job (trabalho). Nessa época o produtor cuidava dos clichês e dos fotolitos. Todo produtor gráfico tinha um conta-fio. Com esse aparelhinho ele enxergava que cor precisava carregar ou diminuir.
Tudo isso hoje é feito pelo computador. Por programas geniais que substituíram esse bando de gente. Até as tias do café foram substituídas por máquinas. Tinha e ainda tem o redator, e ao seu lado o revisor (coisa que um bom corretor ortográfico dá conta). Na mídia, tinham os planos arroz com feijão (Globo + Veja). Hoje tem mais títulos de revistas, jornais e canais de televisão e rádios, além da própria internet, que fez com que os mídias necessitem não mais de uma máquina de calcular, mas de planilhas Excel super espertas.
No atendimento só mudam as moscas.
Mas é na criação que o bicho pegou. E pegou de jeito.
Para concordar comigo basta ver uma campanha de cerveja. Qualquer uma. Todas são um verdadeiro porre. Ou então o último comercial da Red Bull (ou Viagra?). Ou a campanha da Embratel com a Regina Casé (pura falta de educação). E isso para não falar das montadoras (saudades das campanhas antigas).
Dá para perceber que velho, antigo, passado, no caso publicitário pesa e muito.
Estamos vivendo uma época que atchim lembra schim. Tempos de piadas rápidas. De zoeira.
E isso sendo levado para os anúncios. Sem classe na maioria das vezes. Sem a menor chance de comparação com campanhas consideradas velhas.
Não é a toa que frequentemente (sem trema), recebemos e-mails com campanhas do passado, que são verdadeiros clássicos. Verdadeiras obras de arte. Tanto impressas quanto eletrônicas. Jingles nem se fala. Hoje dificilmente você ouve um.
Para não falar que não falei de flores, existem as exceções e como tal, são exceções. Mas de resto, o nível geral deu uma degringolada.
É o terrível perigo de generalizar as coisas. E estou generalizando.
Estamos vivendo uma época globalizada que sem dúvida está influenciando nas culturas regionais e a publicidade vai acabar pagando o pato.
Enfim, mudou o tempo. Mudaram as coisas. Só o que não muda mesmo é o amor que todos temos por essa profissão fantástica que é ser publicitário.
Apesar de amargo este texto é só um desabafo de um cara que está ficando velho, mas que adora sua profissão.
Este texto está publicado no Blog da JCocco Comunicação
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
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